Domingo - Feira do Bosque
O próximo post era pra ser da Feira da 304, mas como hoje é domingo, vai da Feira do Bosque mesmo. Ela acontece na 502 Sul, a quadra da Prefeitura. Tem um praça, chamada Praça do Bosque. Nesta feira há barracas de alimentação, artesanato, roupas, eletroeletrônicos e hippies. Os hippies têm os itens-padrão, mas também muita coisa bonita e única. Aqui eles são hippies MESMO, com direito ao não-banho (o que em Palmas é uma atitude muito corajosa) e tudo mais. Nas barracas de eletroeletrônicos, também chamadas de 'Paraguai', encontra-se de tudo um pouco.. calculadoras, carregadores de bateria, CDs, mp3 players, brinquedos, enfim, todos os tipos de bugingangas (no bom sentido). Na seção de roupas (e calçados) também há mercadorias diversas, desde roupas um pouco mais chiques, até aquelas tendendo ao hippie. Também nada de muito diferente. Artesanato: o ponto forte da feira de domingo. Você encontra o capim dourado, cartão de visitas do estado, que é realmente maravilhoso. Só vendo pra entender (deixe de ter preguiça e faça uma busca no google, talvez eu inclua alguma foto em outro post). Na feira há brincos, bolsas, colares, mandalas, sous-platz (sei lá como se escreve isso), caixas, relógios de parede, pulseiras e o que mais a criatividade dos artesãos permitir que seja feito de capim dourado. Há também artesanato em madeira, biscuit, licores e doces (que são comida, mas pra mim tá em artesanato), almofadas, cadeiras, bordados... Um monte de coisas legais pra quem vem de fora e quem mora aqui deixar a casa, a vida mais bonita. Aproveite a feira de domingo pra comprar o máximo de capim dourado que seu orçamento e limite de bagagem permitirem, pois aqui ele é barato e é um excelente presente. Compensa comprar até pra revender, mas não se esqueça de penchinchar! Nas barracas de alimentação você encontrará coisas típicas e não típicas. E com típicas eu quero dizer típicas de outros lugares também. Tacacá, empadão goiano, pastel paulista, churrasco de costela, tapioca, tortas doces e salgadas, pamonha (cozida e frita) e mais uma infinidade de delícias. Se tem um paladar aventureiro, não deixará de econtrar algo novo pra se experimentar. Se for mais avesso a novidades, encontra algo familiar, ou algo novo com ingredientes familiares. No meu caso, destaco a tapioca da Léa, que foi amor à primeira vista, e também as pamonhas e tortas salgadas. As tortas doces me trazem lembranças também doces, de quando recebi a visita de uma amiga muito especial. Pra beber, refrigerantes, sucos, caldo de cana e cerveja gelada. Tem um palco na praça e eventualmente há apresentações musicais de estilos variados, de flautas andinas a sertanejo, pra se ter uma idéia. O público da feira é igualmente variado, e pelo fato de ser no domingo, imagino que seja meio equivalente ao "dar uma volta na praça após a missa". Adolescentes paquerando, casais, famílias e turistas. Além de um espaço de compras, é um lugar pra ver gente. A feira se inicia no fim da tarde e termina entre 22 e 23 h (ela não fecha de uma vez, cada feirante vai fechando a sua barraca e logo a feira se esvazia). É uma das coisas imperdíveis em Palmas. A propósito, Praça há uma agência da Caixa Econômica Federal e um caixa eletrônico do Banco do Brasil. Traga dinheiro pios será difícil resistir as belezas e delícias da feira. Bom passeio!
Escrito por Eu bato Palmas! às 11h09
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Aff... 3.0
Mais uma pessoa se foi, mas essa ainda mora em Palmas. Pra ser sincero, essa não devia nem ter vindo. Mas talvez eu possa tirar algo de positivo da situação, que consigo sobreviver a isso (de novo) sem me desfazer. Qu acho que vou acabar mudando o estilo desse blog, ou fazendo outro de reflexões (me sinto um adolescente gótico de 17 anos, mas não estou pensando em suicídio).
PS.: O sistema de transportes mudou, mas só depois dessa semana que vou saber bem se pra melhor ou pior. Tudo indica vai ser muito bom, mas a população está resistindo muito.
Escrito por Eu bato Palmas! às 01h13
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Aff... 2.0
Outra pessoa foi embora ontem, me sinto morando numa estação de trem. Apesar de eu tentar me iludir, a realidade está me mostrando que aqui é mesmo lugar de passagem, uma pena. Você faz amigos e de repente eles falam "Meu trem sai em 15 minutos" e se afastam rumo a seus destinos. Será que aqui é meu destino? Ou será que também só estou de passagem? PS.: Na semana que pus o "Aff..." anterior eu tinha começado um post sobre a feira da 304, acho que vou retomar o Blog. O sistema público de transportes será alterado no próximo dia 14, estou excitado e ansioso com a mudança, acho que será pra (bem) melhor.
Escrito por Eu bato Palmas! às 20h46
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Aff...
Ok, quase mais um mês sem postar! Na próxima sumida acho que deleto isso de vez. Hoje senti necessidade de postar por outro momento desabafo. Uma pessoa querida deixa palmas amanhã. Agora vivo mais um lado dos encontros e despedidas. Fiquei com sentimentos confusos, feliz por saber que ela busca a felicidade, vai mudar pra melhor. Triste por perder uma pessoa que tornava Palmas um lugar menos insalubre Boa sorte em sua nova vida!
Escrito por Eu bato Palmas! às 22h39
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Explicando umas coisas...
Sim, fiquei quase um mês sem postar... A vida estava meio complicada e espero ser mais disciplinado agora. Já andei fotografando alguns pontos da cidade para colocar aqui. Um dos motivos da enrolação também é que já tinha decidido que o próximo post seria sobre o clima, e pelo tamanho do post dá pra perceber que era uma tarefa um pouco maior que eu legitimante enrolei pra fazer, pra tentar fazer algo melhorzinho. Queria falar de tudo, mas não deu. Os outros comentários surgirão aos poucos em posts futuros, assim como casos específicos relacionados ao tempo. (Eu escrevo como se uma legião de fãs frenéticos acompanhasse o blog e ficasse compulsivamente dando reload na página em busca de novos posts, sou doente mesmo)
Escrito por Eu bato Palmas! às 22h17
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Líquido ou pó? O clima em PalmasLíquido ou pó? O clima em Palmas.
No decorrer do ano há duas estações distintas em Palmas. Ambas são quentes (sim, aqui é sempre quente) e diferem basicamente quanto à forma de apresentação: líquido ou pó.
LÍQUIDO - Uma delas vai aproximadamente de novembro a fevereiro, que é a estação líquida. Como o próprio nome indica, tudo se liquefaz, se submerge. É a época das chuvas. Na alquimia o elemento quente e úmido era o AR, muito associado a fenômenos climáticos tais como chuva e raios. Dizem que aqui é a cidade na qual caem mais raios no Brasil, mas não sei se isso é fato, e também não sinto a menor vontade de averiguar. É impressionante como a maioria das pessoas tem essa necessidade de ser o mais ou maior “alguma coisa” do Brasil, ou da América Latina, whatever. O que importa é que pelo relevo da cidade, que é bem plana, e pela raridade de construções altas, os raios aqui são ameaças reais. Ou seja: banho de chuva nunca mais! Eu sempre me perguntei, antes de viver essa estação, como seriam estas chuvas.... Se uma garoa ininterrupta, ou pancadas pontuais. Na verdade é um misto disso, há dias de garoa quase constante, tempestades cinematográficas, chuvinhas molha-bobo, etc. A chuva aqui raramente avisa quando vem, então se não gosta de se molhar, ande sempre prevenido. E, além disso, o tempo fica realmente úmido, o que atrapalha bastante a secagem de roupas mesmo de quem tem varal coberto. Se não tem um varal coberto, compre um de chão ou uma arara. Eu não vi nenhuma inundação, mas a água tem problemas para escoar na maioria das ruas. As poças podem ser um grande transtorno aos motoristas, e transtorno maior ainda aos pedestres. Se for pedestre tenha pares de sapatos adicionais e sempre uma ou duas calças-reserva. E cuidado com o mofo: as coisas e as pessoas mofam. A qualquer sinal de tempo seco, abra e ventile a casa. Se for o caso use aqueles produtos bizarros nos armários. Nessa época também é que a vida abunda, tanto a vegetal quanto a animal, mas especificamente, os insetos, aranhas e outras coisas cheias de patas e/ou asas. Tem as baratas também, que merecem um post à parte. Nessa época poucos reclamam da chuva, da umidade e dos insetos, porque a consideram melhor que a estação do pó. Melhor no sentido de “mais fresca”, ou seja, menos quente.
PÓ – É isso, quente, umidade muito baixa. Na alquimia o elemento quente e seco era o FOGO, muito associado a, bem, fogo mesmo. São semanas sem ver nem mesmo um esboço de nuvem no céu, e o calor... Ah, o calor... Lembra da última febre que você teve? Não necessariamente a mais alta, só uma febre de uns 39-40°C. Lembrou? Agora imagine que tudo está com essa febre. Mas é tudo mesmo! A cadeira na qual está sentado, o mouse que está segurando agora (devo me lembrar de trocar isso se um dia isso virar livro), as pessoas que você cumprimenta (abraços são raros em Palmas), todos os objetos que toca. Nos poucos momentos que venta, é como se você abrisse um forno para checar se o bolo está assado. Ao lavar as roupas elas saem praticamente secas da máquina. Ao vesti-las elas sempre estão quentinhas, como se tivessem acabado de ser passadas. Além disso, o tempo tem efeitos adversos na saúde de muitos, especialmente crianças e idosos. A terra fica seca e tudo se cobre com uma fina camada de pó, o que pode ferrar com diversos eletrodomésticos. Nessa época são comuns relatos de temperaturas de até 50°C vistas em termômetros de rua, com fotos para comprovar e tudo. Os termômetros realmente podem marcar estas temperaturas, mas deve-se considerar que são escuros e ficam no sol, apresentando uma temperatura mais elevada que a temperatura real. Mas não adianta explicar, todo mundo gosta de acreditar que realmente está fazendo 50°C, e confesso que nos dias mais quentes a sensação é essa mesmo, que vamos todos morrer secos e carbonizados.
No mais, sempre se proteja do sol, especialmente com o uso de protetor solar nas áreas expostas do corpo. Use um guarda-chuva ou sombrinha como guarda-sol se tiver vontade, isso é comum aqui, assim como o uso de chapéus. Evite mesmo a exposição entre 10 da manhã e 4 da tarde. O índice UV da cidade é alto, e ao evitar essas coisas não pense só em não envelhecer depressa, pense que está adiando ou até mesmo evitando um câncer de pele. Evite praticar atividades físicas em temperaturas superiores a 28°C e quando a umidade relativa do ar estiver abaixo de 20%. Beba muito líquido o ano todo, pois na estação líquida o clima ainda é quente, e seu corpo precisa dessa reposição para você suar feliz e ter sua temperatura regulada. Aprenda um pouco sobre meteorologia. O tempo é um dos assuntos preferidos do pessoal daqui, e reclamar do calor é a maneira padrão de se iniciar um papo com um desconhecido. Todos aqui reclamam do calor, independente do estado de origem, e é a única reclamação sobre a cidade que não é vista com maus olhos pelas pessoas daqui. E mesmo assim não é de bom tom ficar reclamando da cidade. Pra falar a verdade, eu não considero o calor a pior característica de Palmas, já que isso não pode ser mudado. E também não vou falar o que me entristece mais de morar aqui, pelo menos não nesse post.
Para a escrita deste post foram consumidos 500 mL de água e 250 mL de refrigerante. Apesar de estarmos na época líquida, tivemos dois dias consecutivos de pó.
Escrito por Eu bato Palmas! às 22h12
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Música-tema 02
Bem.. essa é meio clichê mas tem tudo a ver com o post das 18:15. Se puder ouça a versão original, do Milton Nascimento. Antes que me pergunte: sim, tudo contra a Maria (Ir)Rita.
Encontros e Despedidas Milton Nascimento
Mande notícias do mundo de lá Diz quem fica Me dê um abraço venha me apertar Tô chegando Coisa que gosto é poder partir sem ter planos Melhor ainda é poder voltar quando quero Todos os dias é um vai-e-vem A vida se repete na estação Tem gente que chega pra ficar Tem gente que vai pra nunca mais Tem gente que vem e quer voltar Tem gente que vai querer ficar Tem gente que veio só olhar Tem gente a sorrir e a chorar E assim chegar e partir São só dois lados da mesma viagem O trem que chega É o mesmo trem da partida A hora do encontro é também despedida A plataforma dessa estação É a vida desse meu lugar
Escrito por Eu bato Palmas! às 23h32
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Esclarecendo
Bem, o desabafo foi isso mesmo, tem horas que Palmas te testa, tal como uma mulher que te seduz pra te descartar em seguida. Que pede presentes e provas de amor cada vez mais caros até te enlouquecer. E amor e ódio andam juntos. Sobre o outro post, quando tava vindo pra cá pensei num dualismo, mas ao escrever percebi que a coisa é um pouco maior do que pensava. Me desculpem pela forma simples como vi as outras cidades, talvez por nunca ter efetivamente morado em nenhuma delas. Talvez por que Palmas ainda seja múltipla pois ainda não decidiu que carreira seguir. Ainda é uma criança, sua personalidade ainda não foi totalmente formada. Tenhamos paciência com a jovem Palmas e sua impetuosidade. Até Nova Iorque e Tóquio já foram vilas um dia. Se Palmas não tem o passado das outras cidades, tem um bem talvez mais valioso: um futuro a ser escrito. Pena que talvez os escribas não sejam os melhores, mas aí a culpa é de todos os eleitores.
Escrito por Eu bato Palmas! às 18h20
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O Espírito do Lugar
Eu acredito que cada lugar tem um espírito, como se fosse a alma da cidade. Um tema subjacente à mesma, que acaba sendo sentido por cada um de forma um pouco diferente, mas consoante. Também acredito que este espírito ecoa nos moradores do lugar, gerando um tipo de ressonância, que se traduzirá em características como a malandragem carioca, a pressa paulistana, a civilidade curitibana ou o bom humor fortalezense. Depois de um tempinho aqui acho que já consegui certa conexão com o espírito da jovem Palmas e aqui o descrevo. Para mim Palmas é como uma das deusas antigas, que tem mais de uma face, tal como Perséfone, ora rainha dos infernos, ora senhora da primavera. Ou então como Bast, mãe carinhosa e guerreira feroz.
Uma das faces desse espírito é a da jovem. Ela é luminosa, vasta, quente, clara, fecunda. É a folha em branco na qual escrevemos nossos sonhos, é a terra a ser arada, o novo a ser descoberto. A fertilidade, a criatividade infantil. Esta é a Palmas dos sonhos, a terra prometida, o novo Eldorado.
Outra face é a da natureza no seu estado primal. Ela é caótica, imprevisível, insondável, imponderável. Desafia a compreensão, vai contra tudo que é racional. É a chuva inesperada com suas enchentes. Os animais peçonhentos escondidos em seus covis. A luta pela sobrevivência, a seleção natural. È a Esfinge faminta, o quebra-cabeças que a humanidade deve resolver. Esta é a Palmas dos obstáculos, são os espinhos que toda rosa tem, o aviso que essa terra não é nossa.
Também há a Palmas de concreto. Ela é progressista, veloz, voraz, audaz. Tal como os jovens, tenta imitar o comportamento dos mais velhos. É a irmã mais nova de Brasília. É o apito da locomotiva, os relógios que não param, o tempo incessante que escoa. É o câncer que se espalha, cresce, invade, deforma, dá forma. Esta é a Palmas do progresso, o grande canteiro de obras, o toque de cinza.
E por último, mas não menos importante, a estação de trem. É o ir-e-vir constante, pessoa que chegam, que partem, imigram, emigram. Nesse trança-trança as caras sempre mudam, mas a cena não se altera. Todos são forasteiros, têm um destino. Relações se formam na fila dos guichês, famílias inteiras avançam, com alguns partindo antes, outros ficando no caminho. Famílias surgem. Viajantes solitários transitam carentes com olhares perdidos, pedidos, arrependidos. Alguns, solidários, ajudam com a bagagem alheia, já outros estão alheios. Todos trazem saudades, alguns, esperança ou espera. Terras natais são recriadas numa colcha de retalhos, cada pedaço de tecido de um canto do país. Esta é a Palmas das pessoas, da solidão coletiva, da companhia distante, pra onde os pontos cardeais convergem.
E como definir um espírito pra uma deusa tão jovem e confusa? Tantas imagens sobrepostas... Todas elas simultâneas, mas a cada momento uma em primeiro plano para cada olho que vê. Não pode ser vista nem no microscópio, nem no telescópio. Sua imagem só é nítida, mesmo que fugaz, num caleidoscópio...
Escrito por Eu bato Palmas! às 18h15
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Desabafo
Eu. Odeio. Palmas.
Escrito por Eu bato Palmas! às 17h15
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Taxa de Fertilidade
Taxa de fertilidade é o número de crianças nascidas vivas em um ano, dividido pelo número de mulheres em idade fértil (de 15 a 49 anos). De acordo com o IBGE, em 2004 a taxa de natalidade no Brasil era de 20,64. Aqui em Palmas ela deve ser pelo menos o triplo disso. Aqui há mulheres grávidas por todos os lados. E crianças, muitas crianças, como ilustra meu sábado. No sábado à noite resolvi lanchar no Bob´s (sim, aqui tem Bob´s). Tinha uma festa de aniversário de criança rolando, mas parece que era uma criança muito bem relacionada, por que tinha mais de cinco mil crianças lá dentro, crianças por todos os lados, crianças de todas as idades, gêneros, formatos e cores. Mas todas tinham alguma coisa em comum: corriam e gritavam. O mais divertido era que os funcionários da lanchonete simplesmente IGNORAVAM este fato. Fiquei imaginando onde estariam os pais dessas crianças. Provavelmente tinha desistido, ou aproveitado a festinha pra descansar um pouco dos filhos. Ou então já tinham enlouquecido e estavam internados e na verdade a lanchonete era um tipo de orfanato improvisado. Não sei se era o calor ou se o açúcar realmente faz isso, mas parecia que estavam todos possuídos. Na hora fiquei imaginando um exército de supernannys armadas até os dentes com alarmes de cozinha colocando todas as crianças num imenso tapetinho de castigo por 3 minutos, marcados no relógio. Ou melhor, um exército de supernannys armadas com singelos lança-chamas botando terror. Peguei meu lanche e fui sentar nas mesinhas do lado de fora (coisa que só pode fazer à noite, lembra do probleminha com a carbonização?). Foi a conta de começar a comer, que dois moleques vieram jogar futebol e fazer embaixadinhas com uma bexiga ENTRE AS MESAS. Sorte minha que não fui atingido nem pela bexiga e nem por eles. Sorte deles também, mais sorte ainda da bexiga. E sabe o que é o ruim da história? Você se acostuma com isso. Começa a achar normal trezentas crianças mal educadas agindo como se fossem uma nuvem de gafanhotos. Ah, e antes se perguntem, a resposta é: sim, eu não gosto de crianças. Mas dessas, nem você gostaria.
Escrito por Eu bato Palmas! às 11h54
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Música-tema
Aproveitando o ensejo, coloco a letra de uma das músicas que pra mim é tema de Palmas... Tem sol, poeira e chuva, e o mais importante, é onde as ruas não têm nome.
Where The Streets Have No Name U2
I wanna run, I want to hide I wanna tear down the walls That hold me inside. I wanna reach out And touch the flame Where the streets have no name.
I wanna feel sunlight on my face. I see the dust-cloud Disappear without a trace. I wanna take shelter From the poison rain Where the streets have no name Where the streets have no name Where the streets have no name.
We're still building and burning down love Burning down love. And when I go there I go there with you (It's all I can do).
The city's a flood, and our love turns to rust. We're beaten and blown by the wind Trampled in dust. I'll show you a place High on a desert plain Where the streets have no name Where the streets have no name Where the streets have no name.
We're still building and burning down love Burning down love. And when I go there I go there with you (It's all I can do).
Escrito por Eu bato Palmas! às 12h35
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Se orientando com pontos de referência.
Como o sistema de endereçamento parece confuso pra alguns, e coexistem dois sistemas, aqui normalmente se utilizam pontos de referência. Mas utilizam MESMO, até mesmo em propagandas na TV é comum passarem o endereço de uma loja e completar com "em frente ao..." ou "próximo do...". É claro que se você está a pouco tempo aqui, falar que alguma coisa fica perto da Escola Fulano de Tal não adianta muita coisa... Não adianta mesmo? Claro que sim! Por que quando estiver perdido dentro da quadra e perguntar por informações, a chance que alguém saiba onde fica um ponto de referência é muito maior! Então sempre que te passarem um endereço peça por pontos de referência, de preferência mais que um. Mais uma coisa: igrejas e queijinhos NÃO SÃO pontos de referência válidos. Queijinhos, como sabem, estão por todos os lados e igrejas idem, de todos os tipos, tamanhos, formatos e variações de religiões cristãs. Igrejas católicas não há tantas assim, para o estranhamento de imigrantes de algumas regiões. De qualquer forma, queijinhos e igrejas são demasiado comuns para serem considerados pontos de referência válidos. À medida que se aproxima de seu objetivo a coisa pode complicar. Eu não sei se tem a ver com o fato da cidade ser plana, mas algumas pessoas simplesmente apontam a direção do lugar que você perguntou e falam "fica pra lá" ou "é bem ali". Muitas vezes essa direção não é uma rua, e sim uma diagonal, e esse ali pode ser meio enganoso e acabar sendo um pouco mais longe que o esperado. Nestes casos torne a perguntar, mas de maneira específica, tipo "Tenho que seguir essa rua e virar pra direita mais ou menos a que altura?" pode ser que te respondam em quarteirões, mas é improvável. Geralmente vem outro ponto de referência: "Siga a rua até o [ponto de referência] e vire pra direita.". Eventualmente chegará ao seu destino. E com o tempo aprenderá mais pontos de referência, e passará a ser uma pessoa que sabe os caminhos, uma pessoa para a qual os amigos ligam quando devem ir onde não conhecem, para pedir dicas. Mas até lá, vale o velho ditado, aliás, dois ditados: "Quem tem boca vai a Roma" e "Em Roma faça como os romanos". Faça como o pessoal daqui: pergunte!
Escrito por Eu bato Palmas! às 12h13
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Como se orientar dentro das quadras?
Você não se orienta, simples assim. As quadras têm geometrias internas diferentes, muitas vezes com suas sem saída. Ah, e a esmagadora absoluta maioria das ruas não têm nome. Normalmente são Alamedas numeradas, e o sistema de numeração nem sempre faz sentido. No sistema antigo de endereçamento ainda eram usadas quadras internas (o que algumas pessoas ainda usam), mas no atual vc terá um endereço com Quadra, Alameda, Lote. Tipo, 403 S, Alameda 13, Lote 7. Depois que achar a Alameda é fácil ficar rodando pra procurar os lotes, mas se certificando que está procurando a numeração no sistema correto, por que o número dos lotes também mudou de um sistema pro outro. Se precisa encontrar um endereço dentro de uma quadra o jeito é chegar com antecedência e sair perguntando, como isso é comum aqui geralmente as pessoas se mostram prestativas, apesar de ter chance de você perguntar para alguém tão perdido quanto você. Aqui sempre tem gente chegando e saindo, e se for outro recém-imigrado ou visitante... Pedir pontos de referência quando te passam um endereço também funciona, mas isso merece um post à parte.
Escrito por Eu bato Palmas! às 11h57
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Como se orientar entre as quadras?
Este é o zoom na região central do mapa anterior:

Bem, com um pouco de atraso, vem o guia de orientação e endereços. Como havia dito, estes quadrados no mapa são quadras, cada quadra, dependendo de pra quem você pergunta, tem entre 500 e 1000 metros de lado. Se vocês perceberem, na área central superior do mapa maior (que é a área retratada no zoom) há uma quadra gigante, resultante da união do que seriam quatro quadras. Essa área é a praça central da cidade, a bela Praça dos Girassóis, na qual ficam a sede do Governo do Estado (o Palácio do Araguaia, o retângulo vermelho no mapa menor), as sedes das Secretarias Estaduais e mais alguns monumentos. Depois haverá um post totalmente dedicado à praça, no momento basta saber que ela é considerada o centro da cidade, o "ponto zero". Ela é o "ponto zero" por que o sistema de numeração de quadras é todo baseado na posição das quadras em relação à praça. Este mapa está com o Norte voltado para cima, perceba que há uma avenida no sentido Norte-Sul que divide áreas de cores distintas. Esta é a Av. Teotônio Segurado, aqui simplesmente chamada de "Teotônio", em Palmas você vai para a Teotônio, corta a Teotônio, etc. No eixo Leste-Oeste, também dividindo áreas de cores distintas, está a JK, a maneira como é chamada a Av. Juscelino Kubitscheck pelos habitantes. Desta forma, com base na divisão formada por estas avenidas, temos no mapa as regiões Noroeste (em vermelho), Nordeste (em amarelo), Sudoeste (em azul) e Sudeste (em verde-claro). As áreas verde-escuras no mapa são isso mesmo: áreas verdes. Não estamos na floresta amazônica ainda, e a vegetação de Palmas se aproxima mais do cerrado (se tiver falado bobagem, por favor me corrijam os biólogos e geógrafos de plantão). Essa introdução toda é para explicar melhor o sistema de numeração das quadras, aqui pouca gente fala em regiões ou pontos cardeais (quando cheguei aqui e vi este sistema imaginei que os pontos cardeais fossem utilizados cotidianamente: 'siga três quadras para o sul', 'este ônibus segue para o norte', mas não foi isso o que encontrei). Para começo de conversa, há dois sistemas de numeração de quadras, o novo e o antigo. Apesar de o sistema novo ser mais racional, grande parte da população ainda utiliza o antigo, e, para a perfeita sobrevivência, é interessante que se aprendam os dois.
SISTEMA ANTIGO
No sistema antigo, que aparece entre parênteses no mapa, cada quadra tinha/tem um nome que consistia/consiste em uma sigla seguida de um número. As siglas são duas letras, que indicam a natureza da quadra, seguidas por mais duas ou quatro, que indicam sua região. As siglas que indicam a natureza da quadra são:
AR - área residencial AC - área comercial AV - área verde AA - área administrativa? Não sei, só agora que percebi que tinha essa também na praça!
As siglas que indicam regiões são:
NO - noroeste NE - nordeste SO - sudoeste SE - sudeste
Além disso, nas quadras vizinhas à Teotônio, antes da sigla correspondente à região, vêm duas letras indicando a localização em relação à praça:
SU - SUL NO - NORTE
Desta forma existem ARSEs, ARNOs, ACSU-SEs, AVSEs, etc. Após a sigla vem o número: as dezenas indicam a sua distância, em número de quadras, no eixo norte-sul, em relação à Praça dos Girassóis. Desta forma, as quadras ARSE-8? ficam 8 quadras ao sul da Praça dos Girassóis, as quadras ARNO-3? ficam 3 quadras ao norte, etc. O algarismo das unidades indica a distância em relação à Teotônio. As quadras vizinhas à Teotônio possuem o zero no algarismo das unidades, e a cada quadra que se afasta da Teotônio, este número aumenta em uma unidade. Desta forma, as quadras ARSE-?2 ficam a 2 quadras de distância da Teotônio, formando efetivamente a terceira coluna de quadras.
Vamos analisar a sigla completa de algumas quadras para entender?
ARSE-22: Área residencial sudeste, ou seja, está na área verde-claro e aí mora gente. Fica na segunda fileira ao sul da Praça dos Girassóis, e é a terceira quadra a partir da Teotônio. Você consegue encontrá-la no mapa? ACSU-SO-40: Área comercial sul-sudoeste, ou seja, fica na área azul do mapa e aí há prédios comerciais (há raras exceções de imóveis residenciais em quadras comerciais). Fica na quarta fileira de quadras ao sul da Praça dos Girassóis, e é a quadra tangente á Teotônio. Neste mapa há só a sigla nova desta quadra, que é 401 S. Consegue encontrá-la? Se olhar com atenção, perceberá que as outras avenidas não têm nome, apenas siglas, que muito, mas muito raramente são utilizadas, já que o sistema de quadras já define bem um endereço.
SISTEMA NOVO
NO sistema novo a Praça dos Girassóis ainda é o ponto zero, mas ele é construído de outra forma: ao invés de letras e algarismo, temos algarismos e apenas uma letra. Esta letra pode ser S ou N, que significam, respectivamente, Sul e Norte, sempre em relação à praça. Os algarismos podem ser divididos entre centenas e unidades. As centenas indicam sua distância em relação à praça, no eixo norte-sul, As quadras 2??-S, por exemplo, são a segunda fileira ao Sul da praça, e as 4??-N, a quarta fileira ao norte. As unidades representam a sua distância em relação à Teotônio. Elas são colocadas em ordem crescente a partir da Teotônio, sendo que são utilizados os números ímpares para o oeste, e os pares (iniciando em 2) para o leste. Desta forma, uma quadra de número ?04 estará na segunda coluna a partir da Teotônio, para o leste, assim como uma quadra ?01, será tangente à Teotônio, no sentido oeste. Neste sistema podem existir apenas duas quadras com um mesmo número, que serão diferenciadas pela letra N ou S, por exemplo, quadras 104: primeira fileira a partir da praça, para o sul ou para o norte, segunda coluna a partir da Teotônio para o leste. Desta forma teremos a diferenciação em 104 N ou 104 S. Aqui, os que usam o sistema novo falam o nome do ponto cardeal por extenso, mas geralmente abreviam ao escrever.
Vamos encontrar algumas quadras para entender?
206 S: segunda fileira no sentido sul, terceira quadra a partir da Teotônio. 105 N: primeira fileira no sentido norte, terceira quadra a partir da Teotônio.
CONCLUINDO
Como disse, os sistemas coexistem, e há ainda muitas pessoas arraigadas ao sistema antigo, até mesmo pessoas que chegaram depois da mudança, mas aprenderam o antigo. Eu prefiro o sistema novo, é mais conciso e racional, mas mesmo assim tive que aprender a me virar com o antigo. Pelo mapa pode-se perceber que algumas quadras não existem no sistema novo, pois caíram em áreas verdes, e que também o eixo norte-sul sofre uma distorção no norte. Um problema que percebo entre as pessoas que usam o sistema antigo é que geralmente se referem apenas ao número da quadra sem a sigla, o que pode gerar confusão para quem ainda não conhece as quadras (geralmente pelo contexto se percebe a região da quadra). E há também as pessoas que misturam os sistemas, o que não dá tanta confusão quando se fala de quadras, mas pode te deixar maluco ao procurar um endereço dentro da quadra... a organização das quadras deixo pra um outro capítulo!
Escrito por Eu bato Palmas! às 01h34
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